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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Fundação Gulbenkian disponibiliza textos clássicos online

Uma parte importante do acervo editorial da Fundação Gulbenkian, composto por obras fundamentais para a cultura portuguesa, para o ensino universitário e para o conhecimento em geral, começou a ser disponibilizada online.

Cinquenta e dois títulos da Coleção de Textos Clássicos encontram-se já acessíveis ao público, estando as restantes Coleções – Cultura Portuguesa e Manuais Universitários – em processo de seleção e tratamento digital para futura reedição neste suporte. Além das obras destas coleções, que serão colocadas à disposição dos leitores de um modo faseado até ao final do próximo ano, a Fundação Gulbenkian irá privilegiar também a via digital, com acesso gratuito e universal, a outros conteúdos produzidos, como ensaios, atas de colóquios, relatórios e outros textos relativos aos seus programas e projetos. Algumas das mais significativas edições da Delegação da Fundação Gulbenkian em Paris virão também a ter livre acesso.

Esta decisão resulta de uma nova política da Fundação que tem como linha orientadora tornar acessível, a todo o público, clássicos da cultura mundial e também obras marcantes da cultura portuguesa. A partir de agora, as edições de novos títulos e as reedições de antigos títulos serão, assim, primordialmente efetuadas em formato digital, com acesso gratuito e universal, desde que tal seja viável pela salvaguarda dos direitos de autor.

Leia mais.

Enviado por Marcos Vasconcelos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Biblioteca do interior de São Paulo tem "Hospital do Livro"

Garça tem projeto premiado pelo Ministério da Cultura de boas práticas em bibliotecas públicas e Lençóis tem setor para conservação das publicações
Os livros são fontes de conhecimento. Embora haja controvérsias, eles permanecem e para tê-los junto a nós por mais tempo e poder compartilhar com o maior número de pessoas é preciso conservá-los. Obras de séculos passados são guardadas e consideradas verdadeiras relíquias, raros ou raríssimos. Eles requerem cuidados especiais. São obras que merecem nosso respeito e por isso recebem tratamento, ‘cirurgias’ que prolongam suas vidas.

Neuza Bomfim Garcia é espécie de “cirurgiã” no setor de recuperação
de livro que estão danificados no “Hospital do Livro” da
Biblioteca de Garça, projeto reconhecido pelo Ministério da Cultura.

Em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), apelidada de Cidade do Livro, um especialista trata as obras para conservá-las para a prosperidade. Um trabalho minucioso que requer preparação. Luvas e pincéis para a limpeza que, muitas vezes traz até resquício de BHC (sigla de inseticida forte) usado antigamente e que pode ser encontrado nas páginas de livros antigos.

A ‘reconstrução’ de uma obra é um trabalho cheio de detalhes, papéis e cola especiais dão nova vida à obra guardada muitas vezes de forma inadequada. Os livros de capa de couro e feitos com papéis de alta durabilidade são marcas de uma época. Os mais recentes não usam o mesmo material.

Na cidade de Garça (70 quilômetros de Bauru) a conservação de livros ganhou um aliado, o “Hospital do Livro”, um projeto que foi premiado e que merece o respeito de todos aqueles que sabem a importância das obras. A iniciativa de uma bibliotecária busca educar a nova geração para cuidar dos livros.

O projeto é voltado para crianças e adolescentes e reduziu em cerca de 40% o número de livros devolvidos para a biblioteca com algum tipo de dano, desde que foi implantado. Mas o resultado melhor do projeto é que ele toca no sentimento das pessoas. Um hospital para o livro, com medicamentos, socorros, salas especiais como uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é capaz de sensibilizar não só o público alvo, mas também adultos.

O capricho e o cuidado com a linguagem, com o ‘tratamento’ das obras é algo de saltar os olhos e atingiu mais 15 mil crianças. O lado B do projeto é ensinar menores infratores a prática da encadernação, um ofício que está em extinção, mas que pode representar a profissionalização daqueles que não tiveram a chance de ler os livros e com eles aprender as lições. O “Hospital do Livro” trabalha três vertentes: a sustentabilidade, a cidadania e a questão econômica.

Na biblioteca de Garça quem empresta um livro e o devolve danificado é convidado a doar outro. Os livros infantis e infantojuvenis são os que mais sofrem com os danos. Muitas vezes retornam rasgados, com marcas de que foram molhados, sujos e faltando folhas. A capa ou folhas são substituídas por cópias e não ficam como era originalmente.

(do JCNET.)

Enviado por Luciana Avellar.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Biblioteca do Vaticano quer derrubar fama de "secreta"

Não há nada secreto, não há nada inacessível e não se parece em nada com um romance de Dan Brown, explicam logo de cara os responsáveis pela Biblioteca Vaticana, que querem atrair mais pesquisadores para explorar os milhões de documentos do arquivo dos papas.

A Biblioteca Apostólica Vaticana - com seus 1.600.000 livros, 8.400 deles incunábulos (livros impressos nos primeiros tempos da imprensa com tipos móveis, não escritos à mão), e outras centenas de milhares de estampas, fotografias e desenhos que a tornam uma das maiores e mais fascinante do mundo - quer acabar com sua fama de "secreta" e "impenetrável".

"Está claro que não se pode deixar todo mundo entrar. Mas isto acontece em qualquer grande biblioteca importante, onde estão aguardados importantes volumes", declarou à Agência Efe a espanhola Angela Núñez Gaitán, diretora do departamento de restauração da Biblioteca Vaticana.

Para poder consultar tanto a Biblioteca Vaticana como o Arquivo Secreto do Vaticano, onde ficam guardados os documentos vinculados à Santa Sé e aos pontífices, é necessário reunir uma série de requisitos e justificar a necessidade de "tocar com as mãos" os delicados volumes e manuscritos.

"A grande diferença para o resto das obras de arte e objetos antigos é que o livro precisa ser tocado, é preciso virar suas páginas para que revelem sua beleza, e isso pode danificá-lo para sempre", explicou Angela, que chefia um dos departamentos mais importantes da biblioteca.

"Não pode ser apenas pelo fetichismo de ter um incunábulo nas mãos", acrescentou ela, que tem a responsabilidade de conservar o valioso patrimônio vaticano pelos próximos anos.

Leia mais em: http://zip.net/btsFDw

Enviado por Luciana Avellar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A Oficina Raquel e o Goethe-Institut convidam para debate sobre Romantismo Alemão


Mais informações pelo site: http://www.goethe.de/ins/br/rio/ver/pt13421930v.htm
Contamos com a sua presença!
____________________________________
Almerinda Cavalcante Stenzel
Leiterin der Informations- und Bibliotheksarbeit
WWW-Ansprechpartnerin
Goethe-Institut Rio de Janeiro
Rua do Passeio, 62 - 2° andar
20021-290   Rio de Janeiro-RJ
Tel. +55 21 3804 8200 / 3804 8204
Fax  +55 21 3804 8227
Almerinda.Stenzel@rio.goethe.org
www.goethe.de/riodejaneiro
www.facebook.com/goetherio


Enviado por Rosangela Salles.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Conheça diferentes bibliotecas pelo Brasil

Os benefícios da leitura são imensos. Para citar um bom exemplo, a atividade exercita o cérebro, aumentando a longevidade e prevenindo doenças relacionadas às perdas de memória. Além disso, visitar uma biblioteca pode ser um passeio superprazeroso. Selecionamos 14 locais diferentes em todo o país, para você ler, pesquisar e, também, relaxar. Confira:


São Paulo

1. Biblioteca Hans Christian Andersen, conhecida como Conto de Fadas
A biblioteca fica em uma praça arborizada, na avenida Celso Garcia, 4142, no Tatuapé, em São Paulo (SP). Riquíssima em literatura infanto-juvenil, conta com espaço para leitura e anfiteatro, onde acontecem palestras com escritores e contações de histórias. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Aos sábados, das 9h às 16h.
Contato: (11) 2295-3447 e http://bibliotecacontosdefadas.wordpress.com

2. Biblioteca Mário de Andrade
Com muitos livros raros, a Biblioteca Mario de Andrade é hoje uma das mais importantes do país e já tem 3,3 milhões de itens, entre livros, periódicos e outros. Conta também com coleção de artes, sala de estudos e de atualidades. Fica na rua da Consolação, 94. Cada coleção tem um horário próprio de funcionamento. A Coleção Circulante, Coleção São Paulo, Sala de Atualidades e a Sala de Estudos estão abertas de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h30. E sábados, das 10h às 17h. A Coleção das Artes fica aberta até às 19h e a Coleção de Obras Raras, Mapoteca e Multimeios fica até às 17h, mas a visita deve ser agendada antes.
Contato: (11) 3256-5270 e http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/historico/index.php?p=7653

3. Biblioteca de São PauloToda segunda-feira, a BSP está fechada para limpeza e manutenção. Por causa disso, o ambiente é limpo, livre de mofo e agradável. Além de grande acervo, a biblioteca já conta com adaptações para cadeirantes e os funcionários são capacitados para se comunicarem em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Há ainda clubes de leituras, oficina de xadrex e grupos de discussão de literatura. Fica na avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, em Santana, São Paulo. Funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h.
Contato: (11) 2089-0800 e http://bibliotecadesaopaulo.org.br/

4. Biblioteca Monteiro Lobato

A Biblioteca Monteiro Lobato tem 44 mil (Foto: Divulgação) exemplares em seu acervo, entre livros teóricos, peças teatrais, livros técnicos, histórias em quadrinhos, títulos infanto-juvenis e livros escolares, revistas, atlas, entre outros. Oferece ainda diversas atividades gratuitas, como contação de histórias, sessões de cinema, teatro e exposições. Tudo isso na rua General Jardim, 485, Vila Buarque, São Paulo. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h e, aos sábados, das 10h às 17h. As salas de Leitura, Gibiteca e a área de periódicos também estão abertas aos domingos das 10h às 14h.
Contato: (11) 3256-4122 e http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/monteiro_lobato/index.php?p=9 (bcsp.mlobato@prefeitura.sp.gov.br)


Rio de Janeiro, RJ

5. Real Gabinete Português de LeituraAmantes da história brasileira e da cultura portuguesa precisam conhecer essa biblioteca. É o maior acervo de obras portuguesas existente no Brasil, com 300 mil volumes. Alguns, ainda manuscritos, outros, obras raras, precisam de autorização especial para ser consultados. Fica na rua Luís de Camões, 30, Centro, Rio de Janeiro. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 18h.
Contato: (21) 2221-3138 e http://www.realgabinete.com.br (gabinete@realgabinete.com.br)

6. Biblioteca Euclides da Cunha
A biblioteca conta com uma coleção de obras Euclidianas e de outros autores, que analisam as obras do patrono Euclides da Cunha. Além disso, há coleções disponíveis em braile e uma coleção de teses, com monografias de educação, ciências sociais e letras. Há também um acervo de livros e folhetos de assuntos diversos e periódicos informativos. Localizada no Palácio Gustavo Capanema, na rua da Imprensa, 16, 4º andar, centro, no Rio de Janeiro, funciona de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 17h30.
Contato: (21) 2220-4140 e http://www.bn.br/portal/?nu_pagina=3

7. Biblioteca Rocambole
Para difundir a literatura infantil e formar novos leitores, a biblioteca Rocambole desenvolve atividades culturais como oficinas criativas, exibição de vídeos, empréstimos de livros para sócios e contação de histórias. Funciona de quartas, quintas e sextas-feiras, das 9h às 12h. Escolas têm atendimento especial, mediante agendamento, das 14h às 17h. Fica na Rua da Imperatriz, 220, em Petrópolis (RJ).
Contato: (24) 2245-4182, (24) 2245-4162, (24) 2245-7735 (agendamento) e http://bibliotecarocambole.blogspot.com.br/ (mimp.rocambole@museus.gov.br)


Curitiba, PR

8. Biblioteca Pública do ParanáAcervo de 400 mil livros, mais periódicos, fotografias, mapas e materiais multimídias são encontrados na Biblioteca Pública do Paraná. A gigante área (mais de oito mil metros quadrados) atende em média 3 mil pessoas, emprestando 2 mil exemplares por dia. Fica na rua Cândido Lopes, 133, no centro de Curitiba. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h e, aos sábados, das 8h30 às 13h. Há ainda uma seção infantil, que fica aberta de segunda a sexta, das 8h30 às 18h30 e, aos sábados, das 8h30 às 13h.
Contato: (41) 3221-4900 e http://www.bpp.pr.gov.br

9. Goethe Institut

Estudantes e fãs da cultura alemã podem conferir obras da literatura e da história alemã, na língua original e também em português, sobretudo títulos relacionados às artes, música, teatro e filosofia. A biblioteca fica na rua Reinaldino S. de Quadros, 33 , em Curitiba. O horário de atendimento varia conforme o dia da semana. Na maioria dos dias, porém, funciona das 15h30 às 20h30.
Contato: (41) 3262-8244 e http://www.goethe.de/ins/br/cur/bib/auo/ptindex.htm (biblioteca@curitiba.goethe.org)


Florianópolis, SC

10. Biblioteca Pública de Santa CatarinaCom mais de 115 mil volumes, a Biblioteca Pública de Santa Catarina reúne obras gerais, literatura catarinense, nacional e internacional, além de revistas e jornais. Também possui um setor de obras raras, de literatura (9.200 títulos), braile (com 4 mil volumes) e infanto-juvenil. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h15. Aos sábados, das 8h às 11h45, na rua Tenente Silveira, 343, centro, Florianópolis.
Contato: (48) 3028-8063 e http://www.biblioteca.sc.gov.br (biblio@fcc.sc.gov.br)


Natal, RN

11. Biblioteca Engenheiro Vulpiano Cavalcanti de Araújo Filho
Com um acervo pequeno, de 4 mil exemplares, esta biblioteca conta com livros, periódicos, CDs, DVDs, obras em braile e da literatura infanto-juvenil. Seu diferencial, porém, é que ela é especializada no meio ambiente, por isso, oferece um bom acervo nessa área. Funciona de segunda à sexta, das 8h às 13h30, na rua Raimundo Chaves, 2000, Lagoa Nova, em Natal.
Contato: biblioteca.semurb@natal.rn.gov.br e http://www.natal.rn.gov.br/semurb/paginas/ctd-99.html


Fortaleza, CE

12. Biblioteca Inspiração Nordestina Fortaleza
Possui acervo de livros e periódicos voltado para as áreas de Desenvolvimento Regional, Economia, Arte, Cultura e Literatura além de mapas, vídeos, DVDs, dicionários, enciclopédias gerais e específicas. A Biblioteca está instalada em espaço moderno e funcional, com salas de leitura, DVD, cabines para audiolivro, auditório, e espaço de inclusão digital, denominado Biblioteca Virtual, com acesso à Internet. A biblioteca está localizada na rua Floriano Peixoto, 941, 3º andar, do Centro Cultural Banco do Nordeste. Funciona de terça-feira a sábado: das 10h às 19h e aos domingos, das 12h às 17h45.Contato: http://www.facebook.com/bibliotecasccbnb


Brasília, DF

13. Biblioteca Nacional de Brasília
Essa é a mais dinâmica das 26 bibliotecas do Distrito Federal. Conta com saraus, oficinas, encontros com autores, mediação de leituras, entre outras atividades. Tem também um espaço infantil, para atender escolas e creches, com computador ligado à internet, livros e jogos, além de saladas de leitura para toda a comunidade. A biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h45 e, aos sábados e domingos, das 9h às 17h45, no Setor Cultural Sul, lote 2, Edifício da Biblioteca Nacional, em Brasília.
Contato: (61) 3325-6257 e http://www.bnb.df.gov.br


Campo Grande, MS

14. Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaías Paim
Com 30 mil títulos disponíveis para empréstimo ou consulta no local, a Biblioteca Pública Estadual Isaías Paim possui uma área de acervo regional, com temas escritos por autores do Mato Grosso do Sul, com cinco mil livros. Ainda há uma seção de obras raras, com 1.500 exemplares. Fica na avenida Fernando Côrrea da Costa, 559, 2º andar, em Campo Grande e funciona de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h.
Contato: (67) 3316- 9161 e http://bibliotecapublicaisaiaspaim.blogspot.com.br

(Fonte: Abril)

Enviado por Luciana Avellar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Acervos pessoais ''encalham'' em livrarias

Quando se entra naquela livraria de obras antigas, com cheiro de páginas lidas e relidas e títulos que parecem fundamentais só pela imponência da capa de couro, pode-se ter a impressão de que se trata apenas de mais um sebo do centro de São Paulo. O que não se imagina é que naquelas estantes estão décadas de dedicação, investimentos e empenho de colecionadores e bibliófilos em encontrar as obras mais especiais. São as bibliotecas pessoais - que a Livraria Calil, descrita acima, comercializa -, que movimentam um mercado vultoso e internacional.

A diferença básica desta livraria para as outras é a preferência por vender bibliotecas pessoais inteiras, sem desmembrá-las - embora haja também obras avulsas nas prateleiras. Ali, estão acervos que valem de US$ 120 mil a US$ 2 milhões. Na verdade, falar em dólar está desatualizado. A compra e a venda de acervos valiosos são agora em euros.

"O mercado está globalizado. Recebi ofertas da Turquia e dos Estados Unidos por algumas coleções, mas preferi não vender. Acho que essas obras devem ficar no Brasil", explica Maristela Calil, herdeira da livraria e hoje sua administradora. Ela explica ainda o que distingue uma biblioteca pessoal de um lote: a biblioteca tem mais de mil volumes.

Entre as coleções mais significativas sob sua tutela está a do próprio pai, Líbano Calil. "Já avaliaram o acervo como o terceiro mais importante do Brasil, atrás do de José Mindlin e da família Safra", diz Maristela. São 15 mil volumes sobre assuntos brasileiros, encaixotados à espera de um comprador. Maristela já tentou vender para os governos federal, estadual e municipal. Sem sucesso. "O diretor da Biblioteca Nacional me disse que compraria se eu encontrasse um patrocinador", espanta-se Maristela. Com a coleção do pai, seriam vendidas as bibliotecas do jurista e agitador cultural Luiz Arrobas Martins, com 14 mil volumes, e do professor José Pedro Galvão de Sousa, com 7 mil. A do ex-prefeito de São Paulo, José Carlos de Figueiredo Ferraz, também está lá, mas seus familiares autorizaram que as obras fossem vendidas separadamente.

Famílias que optam por vender bibliotecas, e não doá-las, acreditam que o trabalho de uma vida inteira do bibliófilo tem valor e merece um preço. Muitas vezes, são famílias tradicionalíssimas, que, por estarem em dificuldades financeiras, preferem não falar. "Como são, em geral, pessoas conhecidas no meio social ou universitário, elas não gostam de ser identificadas para não serem mal interpretadas", afirma Eurico Brandão Júnior, do sebo Brandão. Ele afirma que chega a comprar cinco bibliotecas assim por mês - geralmente com mais de 2 mil exemplares cada. "Paguei R$ 15 mil pela última, que tinha acervo de 3 mil volumes, de História, Sociologia e Filosofia."

Também há quem prefira vender a coleção para instituições de renome, justamente para ter a garantia de que o acervo não se perderá - e ficará bem cuidado. "Minha família decidiu que venderia a biblioteca de 15 mil volumes de meu pai (o crítico literário João Alexandre Barbosa, morto em 2006) ao Instituto Moreira Salles, porque eles demonstram ter um cuidado técnico muito grande", afirma filho, o poeta Frederico Barbosa.

Novos ricos. Já os compradores variam de perfil: podem ser professores universitários, intelectuais, escritores, colecionadores de raridades - os mais fanáticos até checam sistematicamente os obituários dos jornais para ver se algum notório bibliófilo morreu e sua biblioteca entrará no circuito. E, cada vez mais, novos ricos que precisam de uma biblioteca respeitável para as recém-compradas mansões. "Já vendi uma biblioteca a um banqueiro que comprou sem nem ver os livros", lembra Maristela.

Há um esgotamento, inclusive de espaço, nas livrarias. "Para estocar um livro em São Paulo, excluindo a manutenção e a mão de obra, gastam-se mensalmente R$ 0,05 por unidade", explica Gunter Zibell, da livraria Bibliomania.

Líbano Calil passou 50 anos procurando títulos muito específicos, que compusessem um acervo especializado em assuntos brasileiros. A biblioteca está à venda há 17 anos. "Alguém pode considerar esse dinheiro empatado. Um livreiro, como eu, considera que está investido", argumenta Maristela.

(do jornal O Estado de São Paulo)

Enviado por Sandra Mueller.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bibliotecas particulares têm instituições públicas como destino

Diferentemente do que ocorre normalmente com coleções de carros,de selos e até de obras de arte, cujas peças acabam passando pelas mãos de diversos colecionadores e raramente saem da esfera privada, as bibliotecas particulares, após anos de permanência com seus proprietários, muitas vezes são doadas para instituições que permitem a consulta pública de seus catálogos.

Foi o que ocorreu com os acervos particulares do bibliófilo José Mindlin (1914-2010), cuja biblioteca será inaugurada pela Universidade de São Paulo (USP) em 25 de janeiro de 2012, e do colecionador Delfim Netto, que entregou em fevereiro 250 mil exemplares à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), também da USP.

"O professor Delfim levantou questões sobre como seria a atualização desse acervo, o acesso ao público. Ele se preocupa com a preservação desta biblioteca e, como pesquisa e lê muito dentro dela, separamos um espaço para que ele continue utilizando-a aqui na FEA. É o mínimo que podemos dar em contra partida", explica Dulcineia Dilva Jacomini, diretora da biblioteca da FEA.

Assim como ocorreu com Delfim Netto, a preocupação com o destino de suas bibliotecas é comum entre colecionadores e bibliófilos. Se o ato de colecionar livros nasce de uma admiração pessoal por publicações e ganha corpo com o empenho da pessoa em adquirir obras, é quase certo que com o passar dos anos os livros de um acervo contemplem alguma instituição.


(do Último Segundo)

Nota: A Uerj - não é citado na matéria - adquiriu o acervo do jornalista e escritor Barbosa Lima Sobrinho, ex-presidente da ABI.

Enviado por Marcos Vasconcelos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Bibliotecas com as cores do arco-íris.


Todo mundo que gosta de livros sabe que o prazer de ler e o de montar uma bela estante são complementares. É nessa hora que seu senso estético vale mais que seu gosto literário e uma ajudinha pode cair muito bem. Há algum tempo publicamos uma interessante matéria com 10 dicas de organização e decoração para sua biblioteca. Também já mostramos como transformar sua enciclopédia velha em mosaicos criativos e divertidos. Hoje, você vai aprender a fazer um arco-iris de livros, uma forma muito bonita de organizar seus livros e dar um visual novo para qualquer ambiente.


Enviado por Marcos Vasconcelos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Biblioteca de José Mindlin

Colecionador doou seus livros raros à USP. Um robô "devorador de livros" está escaneando os exemplares.
A paixão de um brasileiro por seus livros em breve vai ser compartilhada com todos nós. A Universidade de São Paulo se prepara para receber parte da biblioteca Brasiliana, doada pelo empresário e colecionador José Mindlin.

SAIBA mais sobre a Brasiliana
Poderá ser acessado de qualquer parte do mundo, pela internet, e também fisicamente, em um prédio que está sendo construído para receber a Brasiliana. Um tesouro, de um homem sonhador, que vai se tornar público pelo esforço de gente que acredita que um grande país só se faz com cultura e educação. É em um vazio moldado a ferro, onde ainda o concreto escorre, que caberá o conhecimento. A biblioteca por enquanto é toda imaginação. “São três andares de livros. Todas as paredes com toda coleção exposta. A ideia é que a gente tivesse sempre o visitante em contato com o acervo”, explica o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb. Este será o corpo da Brasiliana, biblioteca formada por 17 mil títulos, todos sobre o Brasil ou feitos no Brasil, doados à USP pelo avô de Rodrigo, o empresário e bibliófilo, José Mindlin. “A arquitetura é coadjuvante nesse processo porque os livros são a alma. Estamos cuidando de dar um corpo para receber dignamente a coleção e ter acesso para meus filhos, netos e de todos nós”, diz o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb. A alma da Brasiliana ainda está bem longe; na casa de José Mindlin, no espaço especialmente construído, ao lado do jardim, para abrigar a biblioteca dele com quase 100 mil volumes. É uma sala de preciosidades e raridades. Os livros são do século 19, de literatura brasileira. Lá, estão quase todas as primeiras edições dos livros de Machado de Assis. Há as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: “O guarani”, de José de Alencar e “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo. Ao pé da escada fica Santo Inácio, um verdadeiro santo do pau-oco. No espaço de trás escondiam o ouro para escapar ao fisco dos portugueses. É neste espaço da memória e do passado que vive um novo agregado: um robô do século 21, um devorador de livros, que lê 2,4 mil páginas por hora. O livro que o robô tem nas mãos é “Helena”, autografado por Machado de Assis, dedicado a um velho amigo dele, Salvador de Mendonça. A tudo isso nós teremos acesso, via internet. “Enquanto o prédio está sendo construído, já estamos construindo a biblioteca digital”, aponta o coordenador da Brasiliana digital Pedro Puntoni. “Podemos transformar uma imagem recém tirada do robô em uma página que seja portátil para a web”, explica o engenheiro de computação Vitor Tsujiguchi. “O usuário vai ver o livro tal como ele é: a imagem do livro original, mas por trás dessa imagem há uma versão digitalizada, como se fosse transcrito. O usuário pode fazer busca por palavra, frase, iluminar trecho, copiar e colar. A pessoa vai poder imprimir em casa, encadernar e colocar na sua estante”, antecipa o coordenador da Brasiliana digital Pedro Puntoni. O robô reconhece 120 línguas. Até o final do ano o plano é que ele tenha digitalizado 4 mil livros e 30 mil imagens. Quem está encantado com o trabalho do robô é o professor titular de história do Brasil, Istvan Yancsó, coordenador geral do projeto: “O conceito dessa biblioteca é atender a uma multiplicidade de destinações. É um serviço que a USP vai prestar à nação. Tudo que nós estamos fazendo é sempre em cima da ideia de que é uma colaboração para montagem de alguma coisa que não vai ser a Brasiliana da USP, vai ser uma Brasiliana brasileira”. Os primeiros livros que já estão sendo digitalizados são os dos viajantes que percorreram o Brasil nos séculos 16, 17, 18 e 19. Toda a coleção das gravuras de Debret. Depois disso será a vez de todos os livros de história do Brasil e literatura brasileira. Os 17 volumes da primeira edição dos sermões do Padre Vieira, a primeira edição brasileira de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga - só existem três unidades no mundo. De José de Alencar, a primeira edição do “Guarany”, livro raro. José Mindlin passou boa parte da vida atrás desse exemplar, um dos únicos existentes e de muitas outras raridades. Uma biblioteca como esta é um espaço para eternas descobertas. Cristina Antunes, organizadora da biblioteca Mindlin há 29 anos, sabe disso: “Até hoje descubro livros que eu não vi, que eu não li, que não conheço”. Toda essa coleção começou com um livro de história do Brasil de Frei Vicente de Salvador, e comentários de Capistrano de Abreu. José Mindlin tinha 13 anos, hoje, aos 94, quase 100 mil livros depois, quer dividir com todos o grande prazer que os livros lhe deram. “Era um sonho, no meio de muitos outros, era sim”, diz o bibliófilo José Mindlin. A biblioteca Brasiliana está sendo construída na usp com doações de empresas. O prédio deve ficar pronto em julho de 2010. Os primeiros livros já deverão ser abertos para consulta, via internet em meados de junho.

Por: SELMA